De cima dos meus 44 anos de idade vasculho a minha memória em busca de uma declaração real dos acontecimentos fatais no Rio de Janeiro, as memórias são sempre cobertas por uma ou mais desculpas políticas, que na tentativa de encobrir sua própria incapacidade de administrar um estado, acabam por fortificar o que chamo de Republica Independente do Crime, com sua administração apartada e seus lucros compartilhados com um poder ou outro, em troca de informações ou falta de informação a quem possa interessar.
Mas para a minha total surpresa, alguma coisa mudou, nunca vi nada parecido e declaro um marco esta semana de 21 a 28 de novembro de 2010. O Estado do Rio de Janeiro oficializou que existe uma guerra armada em seu território. Os governos municipais, estadual e federal aceitaram por fim que existe esta guerra e que estes não podem se omitir e fazerem de conta que não estão vendo os cidadãos dos morros cariocas sendo escravizados e mortos todos os dias.

Provavelmente uma motivação política iniciou este processo de declaração de guerra contra o crime, alguém queria sair na foto, mas a coisa tomou corpo, a mídia foi em peso para o campo de combate, emissora e representantes internacionais estão presentes, deixou de ser um ato municipal e tornou-se uma questão de honra brasileira. Foram convocadas as forças armadas e as policias em todas as suas formações.
E parafraseando nosso digníssimo presidente Lula... “Nunca na história do Rio de Janeiro se demonstrou verdadeira vontade de vencer esta guerra, como o fazem agora”, de devolver a dignidade aos já sofridos moradores das comunidades atingidas, são brasileiros que tem orgulho de seu país e que estavam esquecidos e suplantados pelo regime criminoso e opressor que lhes dava com uma mão e tiravam com a outra.
Se queres a paz prepare-se para a guerra. Pois bem, as principais imagens deste domingo brasileiro foram a mais pura expressão de contra-senso, que bem foi expressa na frase creditada tanto à Cícero como a Ápio Cláudio (o cego), a frase "si vis pacem para bellum" pode ser traduzida "se quer a paz, prepare-se para a guerra".
Que seja mantida a presença militar nos morros do Rio de Janeiro, que o Estado e o Município cuidem dos cidadãos com respeito e veremos uma nova sociedade crescer em paz. A força militar foi muito bem coordenada e deve seguir nestas atividades até a completa pacificação.
Cumprimento com orgulho cada soldado desta Força de Ocupação e Força da Estabilização da Ordem e do Direito, sabemos que o que importa para além do registro é o fato necessário e inevitável, o conflito só começou, mas desta vez acredito que será diferente, acredito que os moradores dos morros cariocas serão tratados com dignidade e que poderão criar os seus filhos em paz.
